quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sião ou não

aqui dissertei sobre a Nova Guiné e Ilhas Salomão. Por outro lado, a Tailândia foi designada Sião.
Houve coisa, quando se ouve Salomão e Sião, em nomes de paragens muito orientais?

... acresce que a cidade de Ayutthaya, no Reino do Sião era chamada "Iudea".
Podemos perguntar o que motiva os nomes Salomão, Sião e Judeia aparecerem no Sudeste Asiático e Oceânia. A culpa, claro está, parece ser portuguesa... ou pelo menos, assim o dá a entender Turpin (General collections of voyages and travels, J. Pinkerton, Pag. 573):
  • The origin of the name Siam is unknown to its own inhabitants (...) in the Pegouan language it means "free". (...) It is suspected it was given by them by the Portuguese (...) 
  • The Siamese call the royal city Sigathia, or simply Crumg, that is to say, the court. The Portuguese, who corrupt all foreign words, by the difficulty they have to pronounce them, have called it Juthya and Odia. (...)
Por que razão vão os portugueses insistir em baptizar o país e a capital com nomes judaicos?
Curiosamente, a Tailândia, ou Sião, será praticamente a única a escapar à colonização europeia.

Não muito longe, na Indonésia, vamo-nos deparar com esta magnífica pirâmide:

Pode parecer que estamos perante uma pirâmide de degraus mexicana, mas não... há também pirâmides destas na Indonésia (Candi Sukuh). Está datada como sendo do Séc. XV... mas se isso será estranho, há ainda a considerar que havia um falo, com quase 2 metros de altura, que foi retirado do local, para ser higienicamente colocado no museu.

Ainda na Indonésia, somos ligeiramente surpreendidos com uma manifestação "megalítica"... aqui poderá ser exagerado o "mega", "multi" seria o prefixo certo. Ou seja, não se tratam de grandes pedras, mas sim de muitas pedras alinhadas, em Gunung Pandang:
Alinhamentos de Pedras em Gunung Pandang, Indonésia.

Estes casos indonésios são normalmente esquecidos na longa lista de sites, quer de pirâmides, quer de monumentos megalíticos. Como se depreende, isto dá um carácter ainda mais global às semelhanças em diversos continentes. 
Para além disso, há quem considere que poderia ter sido ali a mítica Atlântida (artigo do Jakarta Post).

Também não longe, nas Filipinas, vemos os mais de 1700 montes de forma cónica, chamados "montes de chocolate", na ilha de Bohol, sendo supostamente naturais. Apesar de não se tratar de fenómeno comum, é aceite que se tratam de formações naturais... De qualquer forma, o aspecto acentuadamente piramidal assemelha-se bastante aos montes artificiais existentes na Europa Atlântica:
Montes de Chocolate, em Bohol, nas Filipinas (Ilha de Cebu).

Devo dizer que interpretei mal uma péssima tradução, que vi agora reportar a uma página francesa:

Ao contrário, a versão francesa parece-me bastante instrutiva, e avança com uma vastidão de estranhos registos no mundo, ligando a diversos povos, em particular, neste caso, ao povo Tocharian, de origem siberiana, a que se associam a múmias da bacia de Tarim.

Assim, deveria ter falado apenas sobre os petroglifos de Angono, a que se atribui mais de 3000 anos, nalgumas inscrições:

Quando falei em "limpar o Cebu", referia-me a uma má interpretação da tradução da página mencionada. 
Por exemplo, uma grande estátua será afinal uma cabeça de leão... "Lion's head", colocada nos anos 1960's pelo Lions Club! Havia antes uma outra pedra, com aspecto de leão, que motivou a construção do Lion's Club...
 
Lions head, feito pelo Lions Club das Filipinas (Ilha de Cebu) e estátua natural.

O objectivo deste texto seria ilustrar diversos monumentos, pirâmides e megalitos, que surgem nas paragens do Sudeste Asiático e Oceania, para além do habitual Angkor Vat. Não se trata, como é óbvio de mostrar lugares turísticos, ainda que muitos destes monumentos estejam em paragens turísticas, como é o caso do Templo hindú de Besakhi em Bali. Apesar de Bali ser conhecida pelas praias, deveria merecer maior atenção este espectacular templo hindú, associado ao Séc. XIV ou XV:
 
Templo hindú de Besakhi em Bali, Indonésia

Já bastante mais significativo parece ser o Templo hindú de Virupaksha, em Hampi, Índia:

... e em particular esta magnífica escultura no Complexo Monumental de Vijayanagara que evidencia um par de elefantes puxando um carro encimado por um templo:
 
Hampi: Carro de Elefantes puxando um Templo, e megalitos

... havendo também neste local bastantes evidências megalíticas, em redor do templo. Aliás, em Hampi, na região de Karnataka é possível encontrar muitos exemplos de dólmens:

Estes registos indianos parecem misturar monumentos do Séc. XIV a XVI, mas também construções que remontam a 2000 ou 3000 a.C.
Ainda que estes dólmens sejam diferentes dos encontrados na Europa, evidenciam uma proliferação do conceito para outras fronteiras, que normalmente não fazem parte do conhecimento difundido.
Em particular fica a dúvida se a migração do conceito se deu no sentido indiano-europeu ou vice-versa...

(texto corrigido em 9/8/2013)

Aditamento (comentário de JM Oliveira, 3.09.2013):
Em resposta à minha frase:
"Ainda que estes dólmens sejam diferentes dos encontrados na Europa"

O José Manuel teve a gentileza de apontar esta figura que dispensa mais comentários:


29 comentários:

  1. Estive a consultar melhor a estrutura deste blog e mais uma vez parabéns.

    A metodologia segue aquilo que eu conheço melhor em termos de protocolos de deteção e correção de erros
    protocolos de deteção e correção de erros.

    Na descrição diz: "É importante conhecer bem a história com mais de um século, e só depois conjecturar sobre o contexto recente ou actual. Assim se poderá compreender o que determinou a selecção dos escritos divulgados, e a quase supressão doutras obras valiosas."

    Então, então! já estamos no megalitismo, Afinal para conhecermos melhor a história temos que começar pelo principio.

    Pois, existem conceitos, palavras que, voluntária ou involuntáriamente passaram de uma conotação positiva para pejurativa de acordo com a cultura dominante neste canto do mundo: romanos, invasões barbaras, arabes, espanhois; quarenta anos de dominio.

    Com os cónios suponho ser esse o caso. Foram eles os herdeiros da cultura megalitica e onde devemos ir buscar a raiz das liguas latinas. Dai as contradições da teoria de que o português tem origem no latim sejam justificadas com o recurso a um suposto substrato primitivo para dar lugar a inovações linguisticas?? Como pode um substrato dar lugar a inovação, um substrato vem da lingua anterior é uma marca de conservação, Como no caso da palavra avó avó, com origem nas letras do alfabeto megalitico A B O R, A expressão tem avondo ou tem abondo tem origem em abora.



    Mas primeiro lugar deixe-me esclarecer-lhe que em linguistica histórica (como seu eu fosse perito em linguista, autodidata sim e com muito gosto) temos que desativar o firewall para não bloquear a informação que nos interessa

    Ora os cónios foram referidos pela primeira vez pelos gregos creio que cinco séculos antes de Cristo e pela ultima vêz no ano 80 antes de Cristo já sob o dominio romano.

    Para completar este meu raciocinio veja-se e ouça-se a palavra
    mulher em islandês


    Ora o mundo é redondo e se refizermos agora a história de traz para a frente teremos de colocar os povos megaliticos pela ordem inversa das ocupações, ou seja, espanha, arabia (oriente africa e américa), nos paises nórdicos, e em itália. De onde vieram os romanos, gregos, egipcios, ...? Vieram das mitologias??? Engraçado, não é? Cidades fundadas por sete sábios, na grécia e mesopotâmia, Quanto ás civilizações do vale do rio Indo a mesma coisa, origem em mitos, Bem, eu creio que têm mais consistência numa evolução natural das diferentes interações da cultura dos povos megaliticos através das trocas comerciais de longa distância estre estas grandes civilizações que sempre estiveram em contato e se interinfluenciaram. Nada nasce a paritir do zero,

    Para reconstruir a pré história devemos ter em conta a Lei de Murphy ou do ERRO HUMANO que durante trinta e cinco anos esteve sempre presente na minha atividade profissional em aeronautica que enuncia qualquer coisa como: Se existir a hipotese de algo correr mal então é certo que vai acontecer no pior momento, Entanda-se "acidente aeronautico". Para que tal não aconteçe temos que garantir os procedimentos de verificação antes do voo, quem vai para o mar havia-se em terra. Mas aplicando este conceito não ao futuro mas ao passado.

    Em resumo o que pretendo dizer é isto: Se houve a possibilidade de ter existido um povo que espalhor pelo mundo as bases da civilização atual então foram os cónios durante de um modo mais visivel com a a cultura dos vasos campaniformes.

    Aliás, É isso que está escrito na biblia lo no primeiro livro: Deus os abeçou e disse: Frutificai, espalhai-vos pelo mundo e dominai sobre todos os animais sob a face da terra peixes do mar e aves. Agora voamos, não?

    E voaremos muito mais, as galaxias já estão á nossa espera!!

    Cumprimentos,

    Cirilo







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    1. Caro Cirilo,
      muito obrigado pelos seus comentários, em particular por ter lido a "metodologia" e a "descrição", que estão muito desactualizados... foram escritos no início do blog, há 3 anos.
      De momento estou com pouco tempo, mas voltarei para responder.

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    2. Desculpe o atraso na resposta.
      Sobre a parte dos cónios e do megalítico, levantam-se várias dúvidas para mim.
      1) Os registos de pinturas em cavernas parecem consistentes entre o sul de França e a Ibéria. Todo esse território estaria à distância de menos de um mês de viagem a pé... pelo que pode considerar-se em contacto entre si.
      Isso leva a uma cultura no fim do paleolítico com grande capacidade artística, que depois não tem continuação até aparecerem as primeiras civilizações. Ou seja, aceitando a datação de 20 a 30 mil anos, o que impediria a repetição de registos posteriores, com a mesma qualidade artística. Desapareceram?

      2) As antas e outras manifestações megalíticas dizem-se mais recentes. Ou seja, na transição para o neolítico, parecendo preceder ou ser parte da cultura do vaso campaniforme, conforme refere. Nessas manifestações posteriores parece perder-se o cuidado artístico. Os vasos têm motivos geométricos, e não parece ter sido encontrado artista capaz de desenhar nos vasos o que se desenhava na rocha! Isso parece estranho!

      3) Essa cultura campaniforme da Europa, parte da Estremadura Portuguesa (Castro do Zambujal), ao contrário do que ainda é teoria vigente, pois as cerâmicas portuguesas parecem anteceder as outras em valores que atingem 1000 anos. Certo, mas que relação tem com as antas ou com as inscrições?
      Foi evolução de uma mesma cultura?

      4) Há o mesmo tipo de problema noutros lados. A Síria, que está agora sob ataque internacional, a Turquia ou Egipto (outros casos de instabilidade recente), têm registos civilizacionais no período de transição... têm ou tinham, porque há sempre destruições pelo meio.
      Ou seja, ali naquela parte mediterrânica, ainda antes ou à época da cultura megalítica ocidental, apareciam as primeiras cidades. Muito depois das pinturas das cavernas, mas muito antes dos vasos campaniformes.
      Saíram daí as civilizações seguintes? Nada indica isso, veja-se o caso de Jericó, que é considerada a cidade mais antiga. Mas não foi continuamente habitada, tem registos de abandono prolongado após grandes destruições.

      5) Os dólmens, e outros megalitismos, estão associados a palavras específicas.
      São Antas, Zambujos, Lapas, Espinheiros, Fragas, Orcas, etc... e Mouras.
      Sobre as mouras há a confusão propositada com os árabes posteriores, mas os registos de mouras, as lendas de mouras encantadas, estavam ligadas às pedras, especialmente aos dólmens.

      6) Tem toda a razão na sua observação sobre as palavras, e essa islandesa é mais uma, que eu nem conhecia - o significado islandês, está claro.
      Coloquei aqui um tópico chamado "Questão Gaia", que começava com Gaia e os gaiatos, e terminou com Vénus e os putos. Por isso, pela minha parte, não tenha nenhum problema mental sobre asneiras actuais.
      Pelo contrário, acho que há palavras que foram remetidas ao campo de asneiras, por simples boicote religioso e histórico. Irei colocar algo adicional sobre isso num próximo post.

      7) Depois, há expressões que nos remetem a outra realidade... "um mouro de trabalho" tem origem em que mouros?
      Não interessa o que etimologia dirá, porque é óbvio que dirá que é dos mouros recentes, tal como já dizia que as mouras encantadas também resultavam da permanência muçulmana. Porém, não me lembro de expressões populares com "sarracenos" ou "muçulmanos".

      8) Acho ainda interessante chamarmos "jerico" a um burro ou mula. Será acidental associar a mais antiga cidade a um animal que usamos para carga? Ou será que estamos em presença de uma denúncia de antiga manipulação... de povos que eram usados como "mouros de trabalho"?

      9) Chegando assim aos cónios... eu tenho dúvidas sobre o papel que lhes foi reservado. Parece muito semelhante ao que se passou com fenícios e cartagineses - cumpriram uma missão, e depois foram sentenciados. Tarsis, Tartessos, Carteia (Quarteira?), Conistorga... tudo cidades que tiveram um papel muito avançado, mas que ainda assim pareciam limitadas por outro poder atlântico, superior.

      Mais uma vez obrigado pelo comentário e informações,
      da Maia

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  2. Caro Da Maia

    Sobre palavras:
    Sião não deriva de Oceano? Ô Siano?
    Penso que foi o Knigt Templar, quem há tempos, fez esta associação.

    Abraço
    Maria da Fonte

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    1. Olá Maria da Fonte,

      estou com pouco tempo para procurar, mas creio que se refere a isto:
      http://alvor-silves.blogspot.pt/2011/04/o-monte-oceano-ou-siano.html

      ... certo?
      Tenho que ver se arranjo mais algum tempo, nomeadamente para as novas informações sobre Ourique, colocadas aqui pelo comentador apostolo, e também para esta notícia que vi:
      http://expresso.sapo.pt/arqueologos-revelam-segredos-das-piramides-da-ilha-do-pico=f827624

      Cumprimentos!

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  3. Re: “Em particular fica a dúvida se a migração do conceito se deu no sentido indiano-europeu ou vice-versa...”

    Olá boa noite,

    Já tinha dado por esta global civilização megalítica extinta há muito, até pensei fazer uma “analogia” entre os descobrimentos portugueses, e escrevi que com tantos sítios para desembarcar Vasco da Gama fê-lo num estado onde se encontram Antas idênticas às do Alentejo... mas enfim, provavelmente os celtas do ocidente já tinham feito o mesmo antes, ambos procuravam algo no megalítico, aliás como nós ainda.

    Um olhar mais atento sobre todas construções (pirâmides, templos etc.,) notará dois tipos de trabalho, talha da pedra, sendo o mais antigo notoriamente mais sofisticada e inigualável mesmo actualmente ainda não se cortam e encaixam blocos de granito como se fossem manteiga...

    Boas leituras, cumprimentos, José Manuel CH-GE

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    1. Olá José Manuel,
      obrigado pelo comentário e informações.
      Tem razão, e lembrei-me disso que o José Manuel e a Maria da Fonte tinham conversado há muito tempo. Não sei, não sei se há um nexo directo, mas que dá que pensar, sem dúvida que sim.
      Agora estou sem tempo para desenvolver, mas obrigado também pelas outras referências, em particular ao Signario de Espanca, com as inscrições fenícias.

      Abraço!

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    2. Caro José Manuel

      "Não se cortam e encaixam blocos de granito como se fossem manteiga".
      Nem se esculpem como se fossem renda, nem gravam com a precisão do laser.

      Quando olho para todos esses monumentos, fico cada vez mais com certeza de que nada daquilo nos pertence.

      Abraço

      Maria da Fonte

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    3. Olá boa noite,

      Lamento não ter respondido prontamente, cara Maria da Fonte, não recebi notificação do Blogger.
      Isto é uma questão de sensibilidade e abertura de espírito, quem a tiver fica com essa certeza “de que nada daquilo nos pertence”, estamos muito longe de alcançar um nível e meios para fabricar vasos dos “egípcios” ocos em durite, só isso chegava para o establishment dar o braço a torcer, o planeta Terra é o nosso degredo.

      Abraços
      Boas leituras, cumprimentos, José Manuel CH-GE

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  4. Re: "Ainda que estes dólmens sejam diferentes dos encontrados na Europa"

    Dolmens at Marayoor in Kerala, India
    http://commons.wikimedia.org/wiki/File:MarayoorDolmen.JPG

    Boas leituras, cumprimentos, José Manuel CH-GE

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    1. José Manuel, obrigadíssimo. Uma figura dessas vale por cem palavras...

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  5. Caro Alvor
    A minha teoria é que o necessidade cresce e transforma-se em desejo, e o desejo conduz ao sonho. Toda a verdade pode ser perigoso, pode fazer desmoronar a ordem. As pessoas podem não estar preparadas para viver com a transparência. Se mostrar ao mundo que quem faz a manutenção dos seus sonhos é um mortal, parece-me que fica óbvio que se instala a anarquia, o caos total, o basilisco volta à terra. Tive um professor de filosofia que me disse que a filosofia presentemente estava a desconstruir a sua obra, na altura não lhe coloquei a devida pergunta, mas julgo que a posso colocar a si. Estão preparados para criar um novo paradigma? (estas mudanças entre post´s são só para despistar algum apanhado que ande por aí)

    Abraço
    Sidónio

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    1. Claro que não está. Agora, o que está a fazer, é para caminhar em que direcção?
      Como lhe dizia, noutro texto, qualquer capitão, ou homem do leme, é-me indiferente, o que interessa é se conduz a pensar no todo ou apenas numa parte. Se houver benefício, não me importo de ser o último a beneficiar. Há quem precise neste momento de muito mais... basta olhar para África.
      Não há qualquer interesse em destapar de repente, mas importaria dar o sinal, claro, inequívoco, e sem hesitações.
      Esse sinal começa por ser uma inversão cultural. A política da terra queimada só justifica os incendiários. É um fogo que se auto-alimenta.
      Não me escandaliza um "comando invisível", porque até simula o pseudo-comando universal inerente.
      As últimas responsabilidades justificam-se acima das nossas responsabilidades, até chegarmos à responsabilidade da lógica inerente.
      É preciso sempre é saber justificar as nossas, com o que sabemos. O último juiz será o próprio no caminho a que se conduzir - se é o caminho da separação ou da união, sendo que não há meios termos, e a união ou é total na unidade, ou é o isolamento. Não se revela logo... é preciso ver longe para concluir no limite. Porém é claro que uma divisão é contrária à unidade universal, mas é precisa minimamente para nossa sanidade. Isso ficou desde logo inerente quando se abriu a compreensão a mais que um, por imagens do primeiro. O que me parecia impossível e sem sentido era ser consistente assim... mas é. É incrível na réplica perfeita, diferida, unindo pela imperfeição a um tempo que não se esgota, e conseguindo assim o equilíbrio. Na prática funciona de forma consistente, quer na dualidade eu/não-eu, quer separando o não-eu em equivalentes eus.
      É igual para todos.
      Quanto ao basilisco... tudo o que é imaginável e consistente tem probabilidade de ocorrer. Pior, procura ter espaço na realidade comum. Quanto pior for sanidade ecológica, mais probabilidade tem de ocorrer, porque o aceitamos como medo latente. Como evitar a sua manifestação? Reduzir ao mínimo a lógica dentro das regras a que estamos habituados.
      Se quisermos mudanças súbitas num sentido, elas podem ocorrer com igual probabilidade no outro. Imagine que aceita um Pégaso... está a meio passo de lhe aparecer um dragão. Agora, o universo quando começa a ganhar consistência auto-explicativa, começa a reduzir essas "liberdades antigas". Isso não reduz outras hipóteses igualmente notáveis, e nada fica perdido... pode é ficar "fora de contacto imediato" durante mais tempo, mas com uma segurança a longo termo. Quando a compreensão for alargada e completa, tudo está preparado para tudo. A única restrição será a lógica e o acordar comum, na mesma realidade, ainda que os sonhos individuais nunca deixem de se manifestar. O passado fica então definido... porque não está. Não está para a nossa compreensão. Temos múltiplas possibilidades explicativas. O aprofundamento científico reduz as possibilidades do passado, começa a vislumbrar-se cada vez mais numa consistência. Sem essa consistência, tudo seria possível, tudo poderiam ser fábulas.
      Era disso que ia falar a seguir... e isto não é uma "recusa divina", é um simples convite à mesma consistência que temos. A eterna separação seria exclusiva, e a consistência inclusiva está a desvelar-se deste lado.
      Abraço,
      da Maia

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  6. P.S- Quando digo que a humanidade pode ainda não estar preparada, nem preciso ir muito longe para lhe mostrar um exemplar, lá na frente anda um que está apanhado pela coisa, ainda se passa e faz algum disparate por causa da luz e tal e tal. Repare como ele liga as coisas que lê e vê. Se não esta maluco esta enlouquecendo.

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    1. Pois, mas ou é um problema individual, ou são muitos e têm um problema de lógica de grupo...
      Se for um, também está dentro do que é previsível que possa acontecer dado o caldo de cultura que se gerou. As probabilidades arranjam sempre um candidato, ou um grupo de candidatos. Quanto menos espaço de possibilidade lhes dermos de ocorrer, menos é provável que ocorram.

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  7. Mas o animal Homem esta condicionado pela sua própria condição, a vida; além disso tem duas formas diferentes.
    A condição dita que quando vive logo é matéria viva, assim sendo consome para transformar = alimenta-se para existir = debate-se pela sobrevivência individual & as duas formas ditam a sua multiplicação= procria= debate-se pela sobrevivência da espécie. Esse condicionamento terá sempre duas faces, ou será bendita ou maldita, ou seja: o mesmo que se constrói é o mesmo que se destrói, porque, vou chamar o hospede, cresce mas o hospedeiro(planeta) não. Logo é inevitável dizer que o acreditar que a vida é um direito inquestionável é uma utopia, na melhor hipótese um paradigma romântico. Pois se não queremos o incêndio ou aprendemos a lidar com o lume ou aprendemos a colonizar outros mundos. A que me parece mais ao nosso alcance seria a auto regulação mais fina, mais consciente, mas ao mesmo tempo, olho o mundo e vejo uma Humanidade ainda pouco humana que brinca com o lume.

    Abraço
    Sidónio

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    1. Pois, mas é aí que bate a lógica, e se há lógica, então há compensações que não podem ainda ser estabelecidas nestas dimensões.
      Estou fortemente convencido que as dimensões se foram criando... ou seja, a 2ª dimensão é uma primeira reflexão infinita, e alarga estruturas moleculares mais simples.
      Os primeiros "seres" até podiam ser 2D, saindo de 2 cadeias 1D de DNA. Toda a geometria dos bichos aponta para isso - não tem polvos com patas em todas as direcções, as várias direcções saem de um mesmo plano. A entrada do 3D (2ª reflexão) introduziria a alimentação, as cadeias de DNA entrelaçam-se em espiral, é o tempo dos animais. Depois surge 4D, e aí entra o cérebro que não cabe no 3D, pois tem processos próprios além dele, eventualmente é aqui que entra a gravidade e leis físicas. Ainda depois surge 5D, para ver esses processos, a tal visão humana, e para consistência julgo não ser preciso mais... acima disso tudo é igual, dentro desta consistência abstracta. É claro isto é uma mera hipótese... mas albergaria o não fim com uma certa explicação. Se for claro que essas leis albergaram um processo formativo, com vista à compreensão. Quando essa compreensão for suficiente, deixará de haver necessidades de restrições embutidas para forçar a compreensão. O aumento da esperança de vida e alguma jovialidade aos 60, pode significar alguma coisa... digamos que não é algo que se possa dizer que se deve só à medicina e alimentação saudável. Mas como digo, isto é só um pensar alto.

      Os recursos internos à Terra são escassos, mas também estão a ser propositadamente mal geridos... e por isso não estamos propriamente a fazer o melhor pela população que temos, nem estamos a criar condições para boas para albergar novas vidas... ou vindas.
      Se acharmos que não há propósito, então a limitação é arbitrária, e praticamente nada faz sentido - isso é um convite a assumir o caos. Caso contrário, quando pretendemos compreender, temos que pensar alto.

      Um abraço,
      da Maia

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  8. A má regulação dos recursos será sempre uma inevitabilidade enquanto o modelo capitalismo/materialismo (não entro muito por aqui porque são ciências, não me aventuro sozinho) regular a evolução não se sobrepor ao seu molde actual. O poder consciente, seja lá o que ele é na pratica, antes de abrir as portas ao conhecimento/sabedoria deve procurar aceitar a ideia que só é funcional se respeitar algo superior a si próprio. Tipo o homem do leme se não respeitar o barco onde viaja, o facto de não ter um farol para lhe indicar a direcção é menor, pois se o barco fica cheio ou vai ao fundo ou manda carga fora(guerra) , se vai pro fundo, como deve calcular para nada lhe serve o homem, menos ainda o leme . Pela paz acredito que só é possível controlar isto de uma forma, ou se encontra mais barcos para todos poderem viajar, ou se não, então que realmente cresçam, humanamente falando, e controlem as entradas no barco.
    Mas como se pode ver, o facto é que a igualdade é coisa que este bicho não gosta de aceitar, pois toda a mais pequena diferença serve para justificar, serve de pretexto para matar, escravizar ou superiorizar-se e condenar. Num panorama global isto é o mesmo que muitos a querer meter as mãos ao leme de um só barco. No panorama particular é ainda mais caótico, pois é metade do mundo a explorar a outra metade.
    Enfim, preocupo-me com o do leme mas porque ele insiste em mais do mesmo e não percebe que é estúpido.

    Abraço
    Sidónio

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    1. Exacto. Teoricamente o batel não afunda, mas isso não pode ser usado como argumento, pois se a ilusão de realidade não for perfeita levaria à inacção, com o "contar que corre bem", e aí entram os mecanismos de fora para convencer que não se está aqui para brincadeiras de ver um filme da Disney, onde sabemos a priori que tudo acaba bem. Esse é o papel do caos externo, incontrolável e imprevisível... tem que ser aceite, e tem que se perceber porquê. Quem quer controlo total, não quer iguais, e aí arrisca uma existência solitária... pode imaginar-se sozinho num filme da Disney em que é o maior, mas maior sobre nada, porque nada teria existência ao mesmo nível - excepto os fantasmas do próprio, que se projectariam depois na mais inocente das criaturas. Começa num prado de morangos, mas depois o iludido começará a pensar que os morangos têm uma agenda própria para o lixar. É esse tipo de compreensão que tem que ser adquirido.
      Como apontei da outra vez há uma iniquidade irresolúvel - o 1 antecede o 2, o 2 antecede o 3, etc... quem não aceitar isso, não pertence aqui. Agora há também uma equidade absoluta, o 1,2,3, etc... tudo são números e as pessoas não estão ligadas a números. Ou melhor, são os diversos caminhos entre eles, e uma questão é estar temporariamente no 1, outra coisa é não querer de lá sair. Mais uma vez, é uma questão de compreensão. Há uma ordem necessária, mas que por consistência exige equilíbrio. Um desequilíbrio perene teria que ser justificado... com base em quê? Qualquer imposição seria um corte que necessitaria de justificação superior de escolha. Não pode desequilibrar a balança mais do que um certo ponto, quem o fizer arrisca a cair fora dela... e não tenho a certeza que tudo seja recuperável, porque há persistências crónicas. No entanto, uma persistência indefinida não é atributo humano... há limite para a casmurrice.
      Abraço,
      da Maia

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  9. será que o humano é mesmo humano?
    Aqui à superfície da pele, a cegueira é não ver que onde se tem os pés é onde de deve ter a cabeça. Vivemos como que debruçados/inclinados para o futuro, num querer estar onde não se esta, num consumismo constante, que se fosse estável, talvez tivesse argumentos válidos, mas como qualquer a existência é também movimento, os argumentos nunca podem ser vitalícios. Como diz, é uma ilusão. Vivemos aprisionados neste ciclo inevitável entre a vida e a morte... e é aqui que a lógica leva-me a crer que chegamos a Deus.
    Um abraço
    Sidónio

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    1. Caro Sid,
      o fim do universo, para mim, é uma noção que não faz qualquer sentido, por isso a existência tem um significado absoluto, pelo menos esse.
      Há aqui um ponto mínimo e se alguém concebe o fim do universo, pode bem estar nesse caminho de um universo que colapse, de alguma forma... ou seja, algo que perdeu o estatuto de realidade possível, e que só tem lugar como imaginação na observação do que não terminou.

      Eu não disse que havia ilusão, defini a realidade como ponto comum onde acordamos, do verbo acordar... e aqui jogo com o verbo "acordar", porque eu não aceito qualquer oferta casual, mas aceito as que fazem sentido. Qual é a outra definição de realidade, sem ser circular, sem ser um remeter para o que já sabemos?

      O ciclo inevitável entre a vida e a morte é mais uma crença budista. Pode ter um sentido lógico opcional para o próprio. Ou seja, o próprio pode achar que já viveu, ou os outros podem achar que ele já viveu... isso são convicções pessoais, opiniões, não interessam muito como matéria objectiva, não provam nada. Pode encontrar pistas que o remetem para outra existência? Pode. Porém, serão interpretativas, porque dificilmente estabelece um nexo contínuo, com total perda de memória. A memória é o que nos orienta para o passado. A que perdemos é porque não era relevante para a compreensão. Sem memória o lhe que estabelece o nexo? O código genético? Então e os gémeos? São o mesmo ser? Não interessa o contexto na formação do ser?
      Não são certamente umas coincidências que estabelecem relação directa entre uma coisa e outra - a mim pelo menos não dão, mas eu evito cair em tentações de identificação simplista. Procurarei manter os pés na terra, e a minha cabeça onde bem entender (ainda que tenha consciência do paradoxo do pensador), porque o pensamento é livre, e querer prendê-lo à terra pode servir objectivos previsíveis.
      Se tivessemos o pensamento colado à terra, nunca teríamos visto o abstracto que está acima dela.
      Eu sigo a via da lógica, porque é a única onde posso ter uma racionalidade minimamente consistente, perene, sem ficar dependente de arbitrariedade injustificada, do caos.
      Por exemplo, tratamos os animais de forma diferenciada dos humanos, no entanto seria absurdo fazê-lo se conseguíssemos ver a mesma inteligência. O aspecto não conta para nada, o problema é a comunicação. É a falha na comunicação que nos impede de a estabelecer, e estamos condicionados por um "acordo" que usa "realidades" para condicionar a realidade. A superioridade nossa face aos animais, justificaria uma superioridade acima, que nos trataria como animais. Se houve tempo em que os animais falavam não é este... mas não podemos negar o seu olhar, nem a mesma vontade de escapar à morte.
      Agora, temos que "arcar" com a responsabilidade da nossa fisiologia?
      E isto não é apenas invocar a comparação bíblica. No mundo de ideias, as ideias são isso mesmo, ideias. Só precisam de explicação superior quando precisarmos de compreender o nosso próprio pensamento, ou seja, passar o nível acima do paradoxo do pensador. Isso levaria a um processo infinito, porque seguidamente colocar-se-ia outro nível paradoxal, igual. Não me preocupa agora saber a razão pela qual estou a escrever isto, para além das razões que conheço. O outro desejo, "do infinito e mais além", só existe para quem não pensou onde isso leva.
      Abraço,
      da Maia

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    2. Caro Alvor,
      pois muito bem. Eu ao dizer que vivemos num ciclo inevitável entre a vida e a morte, não estava no panorama do individuo, mas sim a tentar compreender o nosso universo. Mas quando fiz este exercício apercebi-me que se o nexo, a razão me concebe a vida, então estou dizendo que há razão para a vida, se há razão para a vida há também para a morte, uma vez que a morte é uma realidade inevitável, assim a vida é também inevitável, pois sem ela não há morte. Então ambas fazem parte do nosso universo ou do nosso acordo. Mas enquanto "preso" a esta condição: vida; não me é possível, pelos sentidos, apreender a morte, é oculta, mas no entanto esta presente, é concebível e por assim ser, embora não nos seja possível compreender conclui que há razão razão para a morte. Quando é razão para algo que não conseguimos compreender então há efectivamente uma razão superior à minha compreensão, então essa(razão) que me é superior também o é a todo o meu universo, até porque não conheço mortal que vá lá e volte, - você conhece? crendo que não, então podemos dizer essa razão é a razão de todas as coisas, é Deus. Concorda?
      Abraço
      Sidónio

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    3. Caro Sid,
      quando falamos de morte devemos distinguir a sua diferença de ausência. Logicamente tem poucas hipóteses, porque essa noção implica uma mudança, o que equivale a tempo. Ou muda, ou não muda... se não muda é perene, gelou na sua perenidade. Dito doutra forma, são invariantes. Um invariante, como lhe disse, é a existência do universo. Esse universo é tudo, e se é tudo não muda, não tem acções, gelou. Espinosa identificava o universo a Deus, eu creio que essa é uma boa definição.
      Abraço,
      da Maia

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    3. Conforme avisei na última mensagem, o Paulo tem o seu espaço para pôr os links e crendices que quiser.
      Por isso removi comentários que nada têm a ver com o que aqui se discute, como retiraria se começassem aqui a falar de futebol ou novelas.

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