segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

dos Comentários (17) - S S Jesmond

Trata-se aqui de recuperar uma troca de comentários, já com mais de 5 anos, a propósito do relato da viagem do navio S. S. Jesmond em 1882, feito pelo seu capitão, David Amory Robson.
Houve mesmo uma expedição à ilha, que não pôde chegar ao seu interior, mas encontrou restos de grandes muralhas maciças, e artefactos...
Segue a tradução da notícia que encontrei então:
Em Março de 1882, ao contrário de anteriores alegados avistamentos de ruínas da Atlântida, este foi claramente reportado no diário do navio e também na imprensa. Disse respeito ao encontro de um navio a vapor com uma ilha não registada nos mapas, no meio de linhas de navegação bastante viajadas, e ao pouco habitual material que aí foi encontrado pelo capitão e pela sua tripulação. A embarcação chamava-se S. S. Jesmond, um navio mercante britânico com 1495 toneladas, fretado para Nova Orleães com uma carga de frutos secos do seu último porto de partida, em Messina, na Sicília. O Jesmond era capitaneado por David Robson, detentor do certificado 27911 na Marinha Mercante da Rainha.  
O navio passou o Estreito de Gibraltar em 1 de Março de 1882, e velejou para mar alto. Quando atingiu a posição 31° 25' N, 28° 40' W, cerca de 200 milhas a oeste da Madeira, e aproximadamente a mesma distância a sul dos Açores, foi notado que o oceano se tornara estranhamente lamacento, e que o navio passava por enormes quantidades de peixe morto, como se alguma doença ou explosão subaquática os tivesse morto aos milhões. Ainda antes de encontrar os bancos de peixe, o Capitão notou fumo no horizonte, que presumiu ser de outro navio. 
No dia seguinte, os bancos de peixes eram ainda mais espessos e o fumo no horizonte parecia vir das montanhas de uma ilha no horizonte directamente a oeste, onde, de acordo com as cartas, não haveria terra ao longo de milhares de milhas. Assim que o Jesmond se aproximou da vizinhança da ilha, o Capitão Robson lançou uma âncora a cerca de doze milhas da costa, para saber se esta ilha desconhecida era rodeada por recifes. Apesar das cartas indicarem uma zona com profundidade de vários milhares de braças, a âncora bateu no fundo a apenas sete braças (~ 13 metros). 
Quando Robson foi com um grupo a terra, viu-se numa grande ilha, sem vegetação, sem árvores, sem praias arenosas, desprovida de qualquer vida, como se tivesse acabado de se erguer do oceano. A costa onde tinham desembarcado estava coberta com escombros vulcânicos. Como não havia árvores, o grupo pôde ver um planalto a algumas milhas, e após isso, montanhas fumegantes. O grupo prosseguiu com cuidado para o interior, em direcção às montanhas, mas o seu progresso foi interrompido por uma série de profundas brechas. Chegar ao interior teria demorado dias. Regressaram ao ponto de partida, e examinaram um penhasco quebrado, uma parte do qual parecia ter sido separado em massa de gravilha, como tendo sido sujeito a enorme força.   
Um dos marinheiros encontrou uma invulgar ponta de seta na rocha partida, uma descoberta que levou o capitão a pedir do navio pás e picaretas, para a tripulação escavar a gravilha. De acordo com o que ele disse a um repórter do Times Picayune de Nova Orleães, onde atracou depois, ele e a tripulação descobriram "ruínas de muralhas maciças". Uma variedade de artefactos descobertos ao escavar próximo das muralhas, durante quase dois dias, incluiu "espadas de bronze, anéis, martelos, esculturas de cabeças de aves e animais, e dois vasos com fragmentos de ossos, e um crânio quase inteiro", e "o que parecia ser uma múmia fechada num caixão de pedra... incrustado com depósito vulcânico, de forma que nem se distinguia da própria rocha". No final do dia seguinte, grande parte do qual gasto em trazer o sarcófago de pedra a bordo do Jesmond, Robson agora preocupado com a incerteza do tempo, decidiu abandonar a expedição à ilha, e retomou o seu curso. 
Vários repórteres examinaram os invulgares achados de Robson, e foram por si informados que ele planeava apresentar os artefactos ao British Museum. Infelizmente para a investigação atlante, o diário do Jesmond foi destruído no Blitz de Londres de Setembro de 1940, tal como os escritórios dos proprietários do Jesmond. Não há registo no British Museum da colecção de Robson ter dado entrada. Ainda que seja possível que os artefactos estejam arquivados nos espaçosos sótãos e caves, comuns a todos os museus. Nunca mais se ouviu falar da ilha, existente apenas no testemunho sob juramento do capitão e tripulação do Jesmond. 
Houve ainda assim, alguma corroboração do incidente. O capitão Robson não esteve sozinho ao reportar a ilha misteriosa. O capitão James Newdick, da escuna a vapor Westbourne, saindo de Marselha para Nova Iorque no mesmo período, reportou na sua chegada a Nova Iorque o avistamento de uma ilha em 25º 30' N, 24º W. O relato de Newdick apareceu no New York Post de 1 de Abril de 1882. Se as coordenadas dadas por ambos os capitães estiverem certas, a ilha misteriosa teria medido 20 x 30 milhas de área [?... isto é incorrecto!]. A actividade vulcânica que trouxe uma ilha desta dimensão à superfície teria morto, provalvemente por aquecimento da água oceânica, uma enorme quantidade de peixe, tal como reportado pelo capitão Robson.
As milhas com peixe morto, espalhando-se da área reportada por Robson, foram também comentadas por um número de capitães e apareceram em artigos numa série de jornais, incluindo o  The New York Times. 
(ver também cap. 6 de "Atlântida, o oitavo continente", de Charles Berlitz, 1984)   
http://www.fortunecity.com/roswell/milkyway/190/jesmond.htm 
Localização da ilha avistada pelo S S Jesmond que corresponde à montanha submarina Hyères, ao sul dos Açores
Entretanto, como vem sendo habitual, o link citado também desapareceu, afundado no grande mar da internet, mas para além do registo que transcrevi nessa altura, há outras navegações ainda disponíveis com relato similar- ver, por exemplo: "Jesmond" em The Atlantis Encyclopedia (Frank Joseph, 2005), transcrito na caixa de comentários.

A zona citada corresponde a montes submarinos, só depois identificadas com os nomes que hoje são dados (por exemplo, o monte submarino Meteor corresponde ao nome do navio alemão que o estudou em 1925-27 e que está 270 metros abaixo do nível do mar). 
Muita batimetria da costa portuguesa foi efectuada pelo Príncipe Alberto do Mónaco, em 1895, e depois prosseguida pelo Rei D. Carlos I, a bordo dos iates "Amélia" (cf. A prática oceanográfica e a coleção iconográfica do rei dom Carlos I, M. E. Jardim et al., 2014). Alguns dos nomes saem dessa época, do Séc. XIX, como por exemplo, o banco Gorringe cujo pico está a uns meros 27 metros de profundidade. 
O caso de ilhas que aparecem e desaparecem, devido à actividade vulcânica, ali frequente, tem vários episódios, e já falámos aqui da ilha Sabrina, que em 1811 apareceu ao largo de Ponta Delgada, e foi logo reclamada pelos britânicos... mas que se afundou por completo, pouco tempo depois.

Assim, a localização dada pelo Capitão Robson seria exactamente sobre o monte submarino Hyères, à data ainda não identificado, e poderia resultar de alguma erupção que, tal como a ilha Sabrina, simplesmente não se consolidou.
A localização reportada pelo S.S. Jesmond seria a da montanha submarina Hyères
Curiosamente, ainda hoje, há muito pouca informação disponível sobre montanhas submarinas... num momento em que é suposto recebermos imagens de Marte, parece haver grande dificuldade em enviar imagens das montanhas submarinas no meio do Atlântico. Essa informação continua a estar sob reserva, classificada, apesar dos muitos estudos, e de por lá passarem submarinos, provavelmente diariamente. Após o folclore dado ao comandante Jacques Cousteau, muito poucas imagens de pequenas ou grandes profundezas foram disponibilizadas ao público. Aliás grande parte da ardilosa encenação consistia em fazer um filme de horas em que só se viam preparativos e protagonistas, resultando depois em curtas imagens subaquáticas vulgares, mas regadas dos maiores superlativos, tomadas como grandes conquistas da humanidade.

O que temos, por exemplo, do rendilhado quadricular, também a Oeste da Madeira, e que espantou muita gente no Google, há 6 anos atrás, com a perspectiva de ser a Atlântida, resulta apenas do registo de cuidadosa batimetria, mas que é suficiente para espantar:
Dados de batimetria reais, usados antes no Google Maps, permitiram notar a muita gente,
uma estrutura gigantesca quadricular, situada ao largo da Madeira.
Nas versões seguintes a Google decidiu "apagar":
 o contraste foi reduzido ao mínimo, e já mal se nota... 
Estamos a falar de linhas gigantescas - no quadrado caberia toda a região da ilha da Madeira até Porto Santo. Se me parece difícil supor que se trata de um "fenómeno natural" (que ainda passam por ser "incorrigível" defeito do processo do rasto do navio que faz a batimetria - houve até a particularidade de enfiar letras NOAA, para baixar o nível de credulidade do povo)... como eu dizia, se me parece difícil pensar em fenómeno natural, também parecia praticamente impossível poder ser uma realização humana com tal dimensão - mesmo que estivéssemos a falar de gigantes ou titãs com pelo menos 100 metros de altura.
O Daily Mail ironizou a atitude da Google face à diluição das linhas polémicas:

Pois, mas se apagou umas, deixou outras, e estas também são interessantes:
Duplas linhas direitas, contínuas, no fundo submarino a Oeste e Norte da Madeira.
O interessante neste suposto "erro" da batimetria, é que as linhas param, usam as elevações, e depois prosseguem a direito!
Qual seria essa razão? Que razão levaria erguer montanhas como muros, numa extensão que vai do Sul de Portugal até à Guiné, com ângulos de 45º que viram para o interior?

Podemos ignorar tudo isto, pensar que é tudo engano, erros de batimetria, alinhamentos resultantes das falhas tectónicas, etc... isso é fácil.

Ok, mas e se não for?
Se até aqui não tinha visto nenhuma razão para estas obras "ciclópicas", para poder sequer supor construção humana, surge uma razão muito clara... admitindo que se tratam de elevações artificiais a grande profundidade.

Admitindo ser construção humana, qual seria a razão para levantar muros ciclópicos, que nos fariam rir da Torre de Babel?
- Bom, sem ser fugir, o que fazemos quando o nível de água sobe e queremos evitar a inundação?
- Levantamos diques ou barragens, certo?... Aliás, como fizeram os holandeses.
Quando ainda não se sabia a que ponto subiria a água, poderia pensar-se em levantar muros que estancassem a subida de águas. A subida de águas não teria ocorrido de um dia para o outro... o gelo foi derretendo e água subindo. Por vezes, o aumento poderia ter sido maior, noutras menor. Em contrapartida, os gelos a derreterem nas montanhas mais altas, também não deixariam esses lugares como "seguros".
O processo poderia assim ter-se arrastado durante muitos anos.
Se a ideia fosse acrescentar pedras para aumentar a barragem, a cada ano que passava e a muralha aumentava, mais pareceria ridículo o esforço de levantar uma construção para evitar o inevitável. Como dizia Galvão:
Também os que escaparam do Diluvio ficaram tão assombrados que não ousaram descer aos baixos. Membroth [Nimrod], depois dele cento & trinta anos fez a Torre de Babylonia, com intenção de se salvar nela vindo outra cheia.
A Torre de Babel caiu, e os povos dispersaram-se, mas a questão é que se as águas continuassem a subir - e parece claro que subiram pelo menos mais uns duzentos metros, face à cota actual, então onde se poderia refugiar toda a humanidade? Num pequeno espaço... num topo de uma montanha? Caberiam aí todos? Ou seria necessário condenar alguns ao isolamento, negando-lhes até barcos para se salvarem? Por isso, parece natural que um titã como Atlas tentasse sustentar o mundo sobre pilares, adiando a derrocada final.

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